A transformação digital na mineração avança impulsionada pela integração entre 5G, inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e edge computing. O movimento tem acelerado a modernização de operações industriais e consolidado novas estratégias de automação, segurança e eficiência no setor mineral.
Segundo estudo global da Nokia em parceria com a ABI Research, a mineração alcançou índices de maturidade digital de 61,9 em tecnologia da informação e 67,3 em adoção de tecnologias operacionais, em uma escala de 100. O levantamento aponta que a convergência entre conectividade avançada e sistemas inteligentes se tornou um diferencial estratégico para empresas do segmento.
Na prática, a combinação entre IA, IoT, 5G e processamento de dados em borda permite que sensores, máquinas e plataformas analíticas operem de forma integrada e em tempo real. Além da automação de tarefas, as tecnologias possibilitam análises instantâneas e respostas rápidas durante as operações de lavra, transporte e beneficiamento mineral.
O 5G tem papel central nesse cenário ao ampliar a capacidade de conexão simultânea entre equipamentos industriais, veículos autônomos, câmeras e sensores. Diferentemente das gerações anteriores de conectividade, a tecnologia viabiliza redes empresariais privadas mais robustas e adaptáveis, especialmente em áreas remotas e complexas, como minas e plantas industriais.
Outro avanço relevante é o uso do edge computing, modelo que aproxima a infraestrutura de processamento do local onde os dados são gerados. A redução da latência se tornou decisiva para aplicações críticas da mineração, como veículos autônomos, monitoramento operacional e sistemas de segurança.
Estimativas da Claro Empresas indicam que a latência em acessos à nuvem pública pode chegar a 80 milissegundos. Com edge computing, esse tempo varia entre 1 e 5 milissegundos, permitindo respostas quase instantâneas para aplicações baseadas em inteligência artificial.
A digitalização também vem fortalecendo estratégias de segurança operacional. Empresas como a Usiminas investem em redes móveis privativas para automatizar atividades de risco e reduzir a exposição de trabalhadores em áreas perigosas. Entre as aplicações estão detectores conectados de vazamento de gás, cercas eletrônicas com câmeras inteligentes e bodycams utilizadas por equipes de manutenção.
A conectividade avançada ainda amplia o uso de drones e veículos autônomos em inspeções subterrâneas e operações após detonações de rochas. “A mineração autônoma e de alta eficiência é alcançável hoje. Não é apenas um objetivo teórico”, afirma o especialista da AFRY, Eskil Bendz.
Além dos ganhos operacionais, a inteligência artificial já vem sendo utilizada em processos logísticos e industriais no Brasil. A Vale emprega IA para otimizar a circulação de composições ferroviárias em trechos críticos, enquanto sensores inteligentes monitoram britadores e sistemas de beneficiamento mineral em tempo real.
Nos portos de exportação, tecnologias baseadas em IA também passaram a substituir análises manuais na medição da umidade do minério de ferro embarcado. O processo reduz o tempo de avaliação, aumenta a precisão das análises e contribui para minimizar riscos durante o transporte marítimo.
A agenda ESG também aparece como um dos motores da digitalização. A Gerdau implementou conectividade 5G na Mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), permitindo o avanço de aplicações como robôs industriais e gêmeos digitais, além da ampliação do acesso à internet para estruturas comunitárias da região.
Redes privativas ampliam conectividade em operações remotas
No Brasil, redes privativas 4G e 5G ganham espaço em operações industriais localizadas em regiões remotas ou com baixa cobertura tradicional. Nesse contexto, a Venko oferece soluções voltadas à implantação de redes privativas para mineração, indústrias, cooperativas, portos, hospitais, áreas rurais, eventos temporários e muito mais.
A empresa disponibiliza um ecossistema completo de conectividade, com arquitetura de core, rádios Nokia FlexiZone Mini-Macro BTS, CPEs internos e externos, além de suporte técnico especializado durante todas as etapas do projeto.
Na mineração, as redes privativas são consideradas extremamente importantes para operações em sedes de minas e áreas industriais, onde a conectividade precisa operar com alta disponibilidade, baixa latência e segurança para suportar sistemas críticos, automação e comunicação em tempo real.
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Fonte: Radar Mineração
Imagem: Canva